Desde o início de 2017, a cada 4 horas e meia um brasileiro morreu vítima de acidente de trabalho. Dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostram que de 2012 a 2017, 15 mil empregados morreram exercendo suas atividades e quase 4 milhões sofreram de acidentes e doenças.

É uma verdadeira epidemia que tira vidas dos trabalhadores, deixa sequelas e destrói famílias inteiras.

Os índices mostram ainda que os motoristas de caminhão e ônibus representam 2,4% das Comunicações por Acidentes de Trabalho (CATs), estando em sexto lugar entre os setores mais atingidos.

De acordo com o presidente do Instituto São Cristóvão (ISC), João Batista da Silva, é preciso analisar esses dados para além da frieza dos números.

“É inaceitável convivermos com essas estatísticas e não tomarmos medidas eficazes. Estamos falando de vidas humanas, de milhares de famílias que ficam desestruturadas. Isso é fruto da negligência de empregadores que não priorizam as normas de segurança como garantia para um trabalho digno”, afirma.

Ponta do iceberg

O observatório avalia que, entre o começo do ano passado e o início do mês de março de 2018, foram registradas 675.025 CATs e notificadas 2.351 mortes. No entanto, esses dados podem ser ainda piores, pois a maioria dos acidentes não são comunicados aos órgãos competentes.

“As empresas precisam garantir que os trabalhadores voltem para a casa vivos e saudáveis”, ressalta João Batista.

Em muitas áreas os desastres ocorrem por descumprimento de normas de segurança e de saúde por parte das próprias empresas. Segundo o MPT, esses casos não poderiam sequer ser classificados como acidentes de trabalho, mas sim como incidentes que ocorrem por culpa absoluta dos empregadores.

Os perigos das estradas

Além de sofrer com o descaso dos patrões que ignoram os cuidados com a segurança, os motoristas enfrentam os perigos das ruas e estradas, os riscos iminentes são constantes. O trabalhador rodoviário convive diariamente com situações que comprometem a sua vida, como a infraestrutura precária das vias, pressão imposta pelo patrão para cumprir prazos irracionais, veículos que trafegam em más condições, roubos de cargas e violência urbana, além de jornadas longas e cansativas.

Custos

Acidentes de trabalho também geram um impacto enorme em despesas com pagamentos de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, auxílios-acidente e pensões por morte, que chegam a R$26 bilhões, além de 315 milhões de dias de trabalho perdidos. A estimativa é que o país tem prejuízo anual de R$ 264 bilhões com acidentes e doenças do trabalho, o que corresponde a 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: ISC